Ondulação

O avanço na ciência e a tecnologia no setor de beleza permitem que cada pessoa modifique a aparência de seu cabelo. Liso ou cacheado, tudo é possível se levando em conta certos cuidados e técnicas fundamentais em um processo de transformação capilar.
 
O cabelo liso é prático e está sempre pronto para qualquer situação. Já o cabelo cacheado exige mais atenção, pois embaraça com facilidade, requer cuidados ao pentear para que os fios não se rompam, mais tempo para organizar e definir os cachos e sempre algum produto para acalmar os fios mais rebeldes. Domar os cachos e o volume não é tão fácil. Porém, o cabelo cacheado permite mais opções de modelagem, é ideal para a elaboração de penteados e, quando bem cuidados, os cachos atraem as atenções e realçam as curvas do corpo.
 
A forma natural do cabelo é determinada durante a fase de formação da queratina quando as células ainda estão vivas e são quase fluidas moldando-se à forma da parede do folículo e transformando-se em queratina. Assim, a forma do cabelo é uma característica estrutural profundamente compactada e dificilmente modificada.
 
Algumas pessoas afirmam que o estado de saúde do indivíduo pode reduzir a efetividade dos tratamentos químicos de transformação, no entanto, não podemos esquecer que o cabelo que foi queratinizado e está afastado do folículo piloso não sofre influência de qualquer situação que possa estar ocorrendo no organismo (variação hormonal, enfermidade, dietas, medicamentos, estresse etc.). Somente as células que ainda estão próximas à raiz, dentro do folículo piloso e, portanto, ainda vivas e não queratinizadas podem ser influenciadas por fatores internos. Por isso é importante verificar o histórico da cliente de acordo com o comprimento do cabelo.

O cabelo é, ao mesmo tempo, forte e elástico e qualquer processo utilizado para modificar sua forma (alisar ou ondular) depende de um amolecimento da queratina para que possa ser moldada, seguido de um endurecimento para fixação de uma nova forma. O processo de amolecimento mais simples é a água, que interrompe as pontes de hidrogênio das fibras de queratina proporcionando maior flexibilidade. Através de fixador, modelador, escova, secador, prancha e babyliss pode-se dar, temporariamente, nova forma ao cabelo já que a lavagem com o shampoo e a própria umidade do ar amolecem outra vez o cabelo fazendo-o retornar à forma definida anteriormente pelo folículo e, atualmente, pela gravidade.

Os processos químicos de amolecimento da queratina através de álcalis fortes atuam não só sobre as pontes de hidrogênio e pontes salinas, como também sobre as pontes de dissulfeto que existem nas fibras de queratina e são ligações covalentes fortes, responsáveis pela forma fixa do cabelo e por sua resistência. Parâmetros como: tipo e concentração de álcali utilizado para o amolecimento da queratina, viscosidade e pH do produto, força exercida durante o tratamento, tempo de pausa do produto no cabelo, inchaço da fibra de queratina, espessura e grau de porosidade do fio, características estruturais do cabelo etc., irão influenciar no resultado. Com tantas variáveis é impossível assegurar um resultado sem uma prévia avaliação dos cabelos, feita por uma pessoa que saiba diagnosticar bem o fio e que conheça bem o produto com o qual trabalha.

Os hidróxidos não são adequados para a ondulação, pois tornam a queratina excessivamente “mole” impedindo a modelagem, portanto são mais eficazes em alisamento ou relaxamento.

O grau de ondulação desejado depende mais da qualidade e estrutura do cabelo a ser tratado que do produto utilizado. A temperatura ambiente do salão também influencia. Certos fatores contribuem para o fracasso de uma ondulação:

• Mecha de cabelo excessivamente grande ou pequena para enrolar no bigudi.
• Quantidade exagerada ou menor de loção onduladora.
• Excessiva tensão ao enrolar a mecha no bigudi ou mechas enroladas de forma muito frouxa.
• Tempo de pausa demais ou de menos.
• Bigudis inadequados para o tipo de cabelo e resultado desejado.
• Carência de técnica para ondulação por parte do profissional.

Na ondulação permanente a boa definição dos cachos depende da quantidade de loção onduladora que alcançará o interior dos fios, a depender de sua porosidade. Um fio poroso não oferece obstáculos à penetração do ativo alcalino que agirá como um alisante amolecendo exageradamente a queratina. Ao invés de conferir ondas resultará em pontas espetadas totalmente lisas. Daí a importância do “papel de proteção” nas pontas. Os processos de cauterização e queratinização, com antecedência, são indicados para reduzir a porosidade dos fios antes de aplicar um processo de ondulação.

Com um bom diagnóstico, uma técnica bem aplicada resulta em cabelos tratados e com cachos bem definidos. Agora, é preciso cuidar. O shampoo e o condicionador de manutenção precisam ser mais condicionantes, hidratantes e desembaraçantes. Todos os dias, pela manhã, os cabelos devem ser suavemente umedecidos e hidratados com um modelador de cachos com filtro solar.